
Shakira está tão ligada ao futebol que atualmente circula na internet um comentário sobre sua “trinca” de sucessos criados para ocasiões especiais: “Shakira domina a Copa do Mundo como Mariah Carey domina o Natal.”
Tudo começou em 2010, quando a superstar colombiana lançou o inesquecível Waka Waka (This Time for Africa), que continua sendo a música mais ouvida da história do torneio. Em 2014, ela gravou La La La, quando a competição foi realizada no Brasil, e, na semana passada, lançou Dai Dai com o cantor e compositor nigeriano Burna Boy. Em antecipação ao torneio deste ano, que começa em 11 de junho e acontece nos Estados Unidos, Canadá e México, a revista Vogue conversou com a cantora.

“Se tem uma coisa que eu sei, é isto: a música e o futebol mobilizam multidões”, disse a cantora, compositora, empresária e atriz Shakira em uma rara entrevista. “Ambos despertam paixão nas pessoas. A paixão é o ponto em comum.”
Estávamos sentados na parte de trás de um elegante SUV prateado, atravessando Miami Beach, conduzido por seu segurança. Tínhamos acabado de sair de um evento de sua marca de cuidados capilares, Isima. Shakira usava um minivestido laranja da Mugler e óculos escuros combinando.
Perguntei se sua abordagem para criar uma música para a Copa do Mundo era diferente do restante de seu trabalho. Como a pressão de criar uma canção capaz de agradar bilhões de pessoas se diferenciava de seu processo habitual?
“Quando vou encarar a tarefa de escrever uma música para a Copa do Mundo, entendo do que as pessoas realmente precisam para viver um momento ao máximo”, respondeu. “É preciso um bom ritmo, uma boa batida, mas também uma mensagem poderosa.”
Sua música “Dai Dai” tem como foco a resiliência e a perseverança. Em um trecho, a letra diz:
“Onde há vontade, há um caminho. Você é dono desse fogo. Ninguém pode tirá-lo de você.”
Para a canção, Shakira conta que ligou para Ed Sheeran e perguntou se ele gostaria de escrevê-la com ela.
“Ele disse que escrever algo para o mundo seria um sonho.” Sheeran aparece como coautor da música.
“Trabalhamos muito bem juntos; nós nos entendemos. Eu queria que a música fosse uma fusão de diferentes elementos. Queria trazer influências do afrobeat, sabores do Caribe, guitarras… A cereja do bolo foi Burna Boy. Eu simplesmente adoro a voz dele.”
Quando conversamos, o videoclipe de “Dai Dai” estava no ar havia apenas quatro dias. Eu disse a Shakira que ele já tinha alcançado 35 milhões de visualizações naquele momento (agora já passa de 95 milhões).
“Ah, já?”, respondeu ela baixinho, quase de forma enigmática, com um leve sorriso.
Depois acrescentou calmamente:
“Isso é uma boa notícia.”
A fama de Shakira ficou evidente em maio, no Rio de Janeiro, onde ela se apresentou na série anual de shows Todo Mundo no Rio, gratuita para o público e conhecida por reunir milhões de pessoas. O público em Copacabana foi estimado em dois milhões de espectadores.
Sua popularidade também se refletiu na turnê Las Mujeres Ya No Lloran World Tour, que ganhará uma extensão na América do Norte neste verão, com várias datas adicionadas de Los Angeles a Nova York, além de uma residência de 11 noites em Madri entre setembro e outubro, em um complexo construído especialmente para ela chamado Shakira Stadium.
Ao falar sobre essa dimensão de sucesso, dinheiro e impacto, Shakira demonstrava tranquilidade e simplicidade.
“Quando me apresento, não faço isso apenas diante de um público. Faço isso cercada pela minha família”, disse.
“Sinto que meus fãs, aqueles que se divertem na plateia e que ouvem minha música há tanto tempo, realmente me entendem. Eles também conhecem meus defeitos. Não me condenam por eles.”
Ela explicou que, especialmente nesta turnê, sente-se protegida e acolhida pelo público.
“É quase uma comunhão. Quando passamos por um repertório de músicas que fizeram parte da vida das pessoas durante tanto tempo e serviram de trilha sonora para elas e para mim também, criamos algo em comum que é inquebrável.”
Após uma pausa, acrescentou:
“Há alguns anos, eu estava pronta para simplesmente comprar uma fazenda, criar animais e me aposentar da música. Hoje olho para trás e penso: ‘Que loucura era essa?’ Eu ainda tinha e tenho muito a dizer e a fazer.”
Falando sobre sua marca Isima, Shakira contou:
“Criei a Isima porque durante muito tempo fui uma vítima do meu próprio cabelo. Meu cabelo está constantemente sob estresse por causa de secadores, chapinhas, modeladores e tudo mais. Já fui morena, loira, ruiva, tive cabelo rosa… Ele sofreu bastante.”
Ela afirma que seus produtos favoritos são o shampoo Riquísima e o condicionador Suavísima.
“Porque eu os uso no banho, que é o único momento em que ninguém consegue entrar. Ninguém pode me ligar — nem meus filhos, nem meu empresário”, disse, rindo.
Antes de encerrar a entrevista, perguntaram o que ainda falta realizar em uma carreira tão premiada, com quatro Grammys.
Uma possibilidade seria retornar como a personagem Gazelle em Zootopia 3, embora nada tenha sido confirmado pela Disney.
“Espero que sim, mas, se não acontecer, já foi uma jornada incrível”, afirmou.
Ela também revelou um sonho:
“Uma coisa que ainda não fiz é me apresentar em algum lugar icônico de Paris, como ao longo do Sena ou na Torre Eiffel. Eu adoraria fazer isso. Talvez um dia.”
Ao sair do carro, equilibrando-se sobre botas brancas de salto alto, Shakira concluiu:
“Tem gente se perguntando: ‘Onde fica o botão de desligar dela?’ Eu ainda não encontrei.”






