
Após transformar a Praia de Copacabana em um oceano de vozes, lágrimas e emoção diante de mais de 2 milhões de pessoas, a passagem de Shakira pelo Brasil revelou um capítulo ainda mais profundo — longe das luzes do palco, mas impossível de esquecer.
O Portal Shakira conversou, com exclusividade, com o ator Faustino (@faustinovf) , o fã que encontrou na música da artista colombiana muito mais do que entretenimento: encontrou esperança, força e motivos para continuar vivendo durante a batalha mais difícil da sua vida — o câncer.
Existem histórias que ultrapassam o universo artístico. Histórias que deixam de ser apenas sobre fãs e ídolos para se tornarem testemunhos de fé, superação e renascimento. A de Faustino é uma delas.
Muito antes do abraço que emocionou milhares de pessoas nas redes sociais após o show histórico em Copacabana, Shakira já fazia parte da reconstrução emocional de Faustino. Ainda adolescente, enfrentando um tratamento delicado e dias cercados por medo, incertezas e dor, ele encontrou nas canções da cantora um refúgio capaz de iluminar até os momentos mais escuros.
Anos depois, o impossível aconteceu.
O garoto que assistiu a um show de Shakira de dentro de um hospital foi recebido pessoalmente por ela nos bastidores de um dos maiores espetáculos da carreira da artista. Um encontro carregado de significado, emoção e cura.
Nesta entrevista exclusiva ao Portal Shakira, Gabriel abre o coração ao falar sobre fé, sobrevivência, música, sonhos e o abraço que mudou sua vida para sempre.
Foi em 2006, durante o fenômeno do álbum Oral Fixation Vol. 2, principalmente por causa de “Hips Don’t Lie”. Eu lembro de rodar um shopping inteiro com meu pai e meus irmãos procurando o CD, que estava esgotado em todas as lojas. Acho que ali começou tudo.
Naquela época, não existia acesso instantâneo como hoje. Então eu esperava ansiosamente as músicas dela tocarem no rádio ou corria para assistir aos clipes no TVZ antes de ir para a escola. A Shakira passou a fazer parte da minha rotina, da minha memória e da minha vida.
Meu tratamento aconteceu em setembro de 2011, justamente na época do Rock in Rio, quando ela iria se apresentar. Meu estado era muito delicado, havia muitas complicações… e, além de torcer por um milagre, o hospital decidiu me dar um presente: instalar um sinal de TV no quarto para que eu pudesse assistir ao show dela.
Aquilo mudou tudo.
As pessoas começaram a ligar para minha família dizendo que ficariam acordadas até mais tarde só para assistir ao show da Shakira “comigo”. E, naquele momento, eu percebi o quanto era amado. Isso me fortaleceu emocionalmente de uma forma inexplicável.
Então veio um instante que nunca saiu da minha memória.
Ela rasga a roupa no palco e canta:
“Y un día después de la tormenta, cuando menos piensas sale el sol.”
Quando terminou “Waka Waka”, eu entendi que aquela música era um verdadeiro hino de superação. Naquele instante, algo dentro de mim mudou para sempre.
No dia seguinte, os médicos do hospital disseram que eu parecia outra pessoa.
“Sale El Sol”.
Meu avô sempre dizia que “a vida deve ser vivida”. E viver exige coragem. Coragem para continuar mesmo quando chegam as tempestades, porque no fundo a gente precisa acreditar que o sol vai voltar a nascer.
Essa música representa exatamente isso para mim: esperança.
Que ela transforma vidas.
Nós sabemos o quanto os últimos anos foram difíceis para ela, especialmente emocionalmente. E, enquanto via tanta gente tentando apagar o brilho dela, eu só conseguia pensar em uma coisa:
Ela precisava saber que bilhões de pessoas continuam sendo iluminadas pela sua luz.
A Shakira inspira pessoas no mundo inteiro — e eu sou uma delas.
Tudo começou depois que ela comentou uma publicação minha nas redes sociais.
Eu estava ouvindo “She Wolf” no rádio, vendo o pôr do sol na Baía de Guanabara durante a Rio Fashion Week, quando li a mensagem dela:
“Obrigada por compartilhar essa história tão especial. Gostaria muito de te conhecer e te dar um abraço.”
Eu comecei a tremer na hora.
Mas a confirmação veio duas semanas depois, no dia do show em Copacabana. A Angélica Camargo, que hoje considero alguém fundamental na equipe dela, respondeu minha mensagem pouco antes do show dizendo:
“Vai dar certo. Ela vai te ver depois do show <3”
Naquele momento, eu soube que meu sonho estava prestes a acontecer.
Uma semana antes do show, fui sozinho fazer uma trilha no Horto, no Rio de Janeiro. Em determinado momento, fiz uma oração:
“Me dá um sinal de que esse é o caminho certo… e que ela vai me encontrar.”
Na mesma hora, apareceu uma borboleta azul enorme, como eu nunca tinha visto antes. Ela me acompanhou durante toda a trilha.
Ali eu senti: ia acontecer.
E aconteceu de uma maneira quase mágica.
Durante “Waka Waka”, a Angélica me ligou perguntando onde eu estava. Depois, já perto do palco, ela disse que na última música alguém viria me buscar para levá-lo aos bastidores.
Na música final, o irmão da Shakira, Tonino, apareceu.
Eu pulei a grade e fui conduzido por um verdadeiro labirinto atrás do palco até o Copacabana Palace. Tudo parecia surreal.
Mas a ficha só caiu de verdade quando o irmão dela me ofereceu uma Corona e uma água de coco.
Foi ali que eu pensei:
“Meu Deus… isso está acontecendo mesmo.”
Ela é ainda mais impressionante pessoalmente.
Linda, forte, poderosa.
Mas o que mais transbordava dentro de mim era gratidão.
Quando entrei no camarim, eu estava olhando para baixo enquanto ela conversava com a equipe.
Então ouvi:
“Faustino?!”
Quando ela falou meu nome, nós dois nos emocionamos.
Eu contei que, 14 anos antes, tinha assistido ao show dela de dentro de um hospital, lutando contra o câncer, quando parecia que tudo estava perdido.
E disse:
“Hoje me sinto curado duas vezes.”
Eu acredito que Deus usa pessoas como instrumentos. E artistas também podem salvar vidas através daquilo que fazem.
Sem dúvida.
A música sempre foi meu refúgio — fosse dançando escondido no banheiro de casa ou cantando na igreja.
Ela pode nos destruir, mas também pode nos reconstruir.
Por isso precisamos escolher sons que nos levantem.
A Shakira tem esse dom. Mesmo nas músicas sobre dor ou coração partido, existe sempre uma mensagem de força, libertação e cura.
A arte tem um poder único: ela alcança lugares dentro da alma que muitas vezes ninguém mais consegue tocar.
Eu acredito profundamente que sonhos sobrevivem às tempestades.
E que nós precisamos acreditar no nosso potencial — não por ego, mas pela responsabilidade de honrar a vida que recebemos.
Ninguém atravessa a dor sozinho.
E talvez hoje alguém precise ouvir exatamente isso:
“Um dia depois da tempestade, quando menos se espera, o sol volta a aparecer.”
Acredite.
O sol também vai nascer para você.
O Portal Shakira agradece, com todo carinho, ao Faustino (@faustinovf) por dividir uma história tão emocionante e inspiradora com a gente. Seu relato mostra que a música tem o poder de curar, fortalecer e transformar vidas — e que a luz da Shakira continua alcançando pessoas de maneiras inesquecíveis.
Obrigado a todos que acompanharam essa entrevista especial. Que nunca faltem sonhos, esperança e motivos para acreditar que, depois da tempestade, o sol sempre volta a brilhar. ☀️
Por: Mauricio de Souza






