Copa do Mundo: a história das músicas oficiais e o legado de Shakira

Daniela TrinCuriosidades3 weeks ago268 Views

Antes de 1990: os primeiros temas musicais da Copa

Antes da era dos grandes hits internacionais, a FIFA World Cup já contava com músicas e temas oficiais ligados ao torneio, embora com perfil mais regional e menos voltado ao mercado pop global.

Um dos primeiros grandes marcos aconteceu na 1962 FIFA World Cup com El Rock del Mundial, interpretada pelo grupo chileno Los Ramblers.

A canção é considerada por muitos historiadores e fãs como a primeira música amplamente reconhecida como tema oficial de uma Copa do Mundo.

Outros destaques antes da era moderna incluem:

  • 1966 – Inglaterra: “World Cup Willie”, de Lonnie Donegan, associada à primeira mascote oficial da Copa.
  • 1970 – México: “Fútbol México 70”, dos Hermanos Zavala.
  • 1974 – Alemanha Ocidental: “Fussball ist unser Leben”, interpretada pela própria seleção alemã.
  • 1978 – Argentina: “Mundial 78”, tema instrumental criado por Ennio Morricone.
  • 1982 – Espanha: versões associadas de “Mundial 82”, incluindo interpretações de Plácido Domingo.

1990 — O nascimento da era moderna das músicas da Copa

Desde 1990, as músicas da Copa do Mundo deixaram de ser apenas hinos institucionais e passaram a integrar a cultura pop global. Até 2018, a FIFA costumava trabalhar com uma música oficial principal por edição, complementada por outras faixas promocionais ligadas ao evento. Em 2022, esse modelo mudou: a Copa passou a ter uma trilha sonora com várias músicas oficiais ao mesmo tempo, sem um único hino dominante.

Na 1990 FIFA World Cup, a FIFA iniciou uma nova fase musical para o torneio.

A música oficial foi lançada em duas versões: “To Be Number One”, em inglês, e Un’estate Italiana, em italiano, interpretada por Gianna Nannini e Edoardo Bennato.

Embora fossem versões da mesma canção, Un’estate Italiana acabou se tornando muito mais popular mundialmente e entrou para a história como uma das músicas mais icônicas das Copas.

1994 — A Copa ganha clima americano

Na 1994 FIFA World Cup, a FIFA apostou em “Gloryland”, interpretada por Daryl Hall e Sounds of Blackness.

A música tinha forte influência gospel e uma sonoridade grandiosa, refletindo o estilo dos grandes eventos esportivos norte-americanos da época. Embora não tenha alcançado o impacto cultural de outras músicas posteriores, ajudou a consolidar a ideia de que cada Copa deveria ter uma identidade musical próprias.

1998 — Ricky Martin transforma a música da Copa em fenômeno global

Na 1998 FIFA World Cup, a FIFA viveu um de seus momentos musicais mais importantes com La Copa de la Vida, interpretada por Ricky Martin.

A música marcou uma virada na história das Copas ao transformar o torneio em um espetáculo pop global. Com o refrão “Go, go, go! Ale, ale, ale!”, a canção rapidamente se tornou um sucesso mundial e ajudou a popularizar ainda mais a música latina no cenário internacional.

A apresentação de Ricky Martin na final da Copa, em Paris, é lembrada até hoje como um dos momentos mais emblemáticos da história musical do torneio. O enorme sucesso da faixa também impulsionou a carreira internacional do cantor e abriu portas para a explosão latina no pop mundial no fim dos anos 1990 e início dos anos 2000.

Muitos consideram La Copa de la Vida a música que consolidou o modelo moderno das canções de Copa: refrão grandioso, forte identidade internacional e enorme apelo comercial.

2002 — O pop energético dos anos 2000

Na primeira Copa realizada na Ásia, a 2002 FIFA World Cup teve como música oficial “Boom”, da cantora Anastacia.

A faixa carregava a estética pop do início dos anos 2000, com forte energia dançante e refrão repetitivo, seguindo a tendência musical da época. Embora não tenha alcançado o status icônico de outras músicas de Copa, representou bem o espírito pop daquele período.

2006 — O início da era Shakira

Na 2006 FIFA World Cup, começa a ligação histórica entre Shakira e o Mundial.

O tema oficial foi “The Time of Our Lives”, interpretado por Il Divo e Toni Braxton, apostando em um estilo mais clássico e emocional.

Mas uma das músicas que mais ganhou destaque naquele Mundial foi Hips Don’t Lie (Bamboo 2006), versão especial criada por Shakira para a FIFA.

A faixa adaptava o enorme hit Hips Don’t Lie ao clima da Copa do Mundo, trazendo uma sonoridade mais global e elementos inspirados em ritmos africanos. A música se destaca por seu clima festivo e inclusivo, como fica claro no trecho “Latino! Africano! Asiático, americano! Tu Dios te está mirando!” — uma convocação para que pessoas de todas as origens celebrem juntas.

Embora não fosse oficialmente o hino principal da Copa, Shakira e Wyclef Jean a cantaram na cerimônia de encerramento e a música teve uma boa exposição internacional.

Para muitos, Hips Don’t Lie (Bamboo 2006) funcionou como uma espécie de “prévia” do fenômeno que viria quatro anos depois com Waka Waka.

2010 — Waka Waka vira fenômeno mundial

Na 2010 FIFA World Cup, nasce o maior fenômeno musical da história da Copa:
Waka Waka (This Time for Africa).

Interpretada por Shakira ao lado do grupo Freshlyground, a música se tornou um sucesso gigantesco.

O refrão “Tsamina mina, eh eh / Waka waka, eh eh” tem origem em “Zangalewa”, música lançada nos anos 1980 pelo grupo camaronês Golden Sounds. A canção, muito popular em vários países africanos, por sua vez também era inspirada em cantos militares e expressões populares da região.

Com coreografia viral e mensagem positiva, Waka Waka ultrapassou o futebol e virou um fenômeno cultural global. Até hoje, é considerada a maior música da história das Copas.

2014 — O Mundial do Brasil é marcado por We Are One e pelo retorno de Shakira com Lalala

Na 2014 FIFA World Cup, a música oficial foi “We Are One (Ole Ola)”, interpretada por Pitbull, Jennifer Lopez e Claudia Leitte.

Misturando pop eletrônico, dance music e elementos inspirados em ritmos do Brasil, a música apostava em um clima festivo e no refrão “Ole Ola”, pensado para funcionar como um coro de estádio durante a Copa.

A apresentação oficial aconteceu na cerimônia de abertura do Mundial, na Arena Corinthians, em São Paulo, diante de milhões de espectadores ao redor do mundo.

Apesar do sucesso de We are one, Shakira voltou a roubar a cena com La La La (Brazil 2014), uma versão especial da faixa Dare (La La La), lançada em seu álbum homônimo.

Para a edição da Copa, a música ganhou nova letra, referências ao futebol e participação do cantor e percussionista brasileiro Carlinhos Brown, adicionando ainda mais identidade brasileira à faixa.

Com refrão contagiante, clipe cheio de jogadores famosos e forte presença nas redes sociais, La La La rapidamente se tornou uma das músicas mais populares daquele Mundial.

Shakira também apresentou a música na cerimônia de encerramento da Copa no Maracanã , reforçando ainda mais sua ligação histórica com o torneio e consolidando sua imagem como um dos maiores nomes musicais da história das Copas do Mundo.

2018 — Uma Copa mais globalizada musicalmente

Na 2018 FIFA World Cup, a FIFA escolheu “Live It Up”, com Nicky Jam, Will Smith e Era Istrefi.

A música apostava em uma mistura multicultural e pop internacional, refletindo o perfil globalizado da Copa moderna. Apesar da grande produção, teve repercussão menor do que os grandes hits das edições anteriores

2022 — A Copa vira uma playlist global

Na 2022 FIFA World Cup, a FIFA muda completamente o conceito musical do torneio.

Em vez de uma única música principal, o Mundial passa a ter várias canções oficiais simultâneas, incluindo:

  • “Hayya Hayya (Better Together)” – Trinidad Cardona, Davido e Aisha
  • “Dreamers” — Jungkook do BTS
  • Arhbo – Ozuna e GIMS.

A estratégia refletia a era do streaming e das redes sociais, transformando a Copa em uma espécie de playlist global.

2026 — O retorno de Shakira à Copa

A 2026 FIFA World Cup marcará mais um capítulo da relação entre Shakira e as Copas do Mundo.

A cantora lançará “Dai Dai”, em colaboração com Burna Boy, ampliando ainda mais sua presença histórica no torneio e reforçando sua ligação com a identidade musical da FIFA.

Além da nova música, Shakira também foi anunciada como uma das atrações do primeiro show de intervalo da final da Copa do Mundo, ao lado de Madonna e do grupo BTS, que ocorrerá no dia 19 de julho, grande final do campeonato.

A decisão reforça o status de Shakira como o maior símbolo musical da história moderna das Copas do Mundo. Após marcar diferentes gerações com Hips Don’t Lie (Bamboo), Waka Waka (This Time for Africa) e La La La (Brazil 2014), a cantora retorna mais uma vez ao universo do Mundial, consolidando-se como a artista mais associada às trilhas sonoras da Copa do Mundo. 

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