Um esquema de comercialização irregular de camarotes no Estádio do Morumbis veio à tona e ganhou grande repercussão nos últimos meses. O caso explodiu de vez hoje, 21/01/2026, com a Polícia Civil cumprindo quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao esquema.
O ponto de partida foi o show da Shakira no Morumbis, em fevereiro de 2025. Um camarote ligado à presidência do clube (identificado internamente como camarote 3A ou “sala presidência”) foi repassado de forma irregular para exploração comercial.
Como funcionava o esquema (segundo as investigações):
- A diretoria do São Paulo repassou o camarote à Mara Casares (ex-esposa do então presidente Julio Casares e diretora feminina, cultural e de eventos do clube na época) para realização de um evento privado durante o show.
- Mara então envolveu uma intermediária (Rita de Cássia Adriana Prado) para vender os ingressos do camarote no mercado paralelo.
- Alguns ingressos chegaram a ser vendidos por até R$ 2,1 mil cada, com estimativa de faturamento alto (em torno de R$ 132 mil só nessa operação, segundo reportagens).
- Nada disso era revertido oficialmente para o clube — o lucro ia para os envolvidos, configurando exploração clandestina e venda ilegal.
O caso ganhou força quando a intermediária entrou na Justiça alegando ter sido lesada no pagamento por um pacote de ingressos. Um áudio vazado mostrou Mara Casares e Douglas Schwartzmann (diretor-adjunto de futebol de base do clube) pressionando a intermediária para retirar a ação judicial, admitindo abertamente que se tratava de um “esquema” e que “todo mundo ganhou”.
Consequências até agora:
- Mara Casares e Douglas Schwartzmann se afastaram/licenciaram dos cargos em dezembro de 2025.
- Julio Casares (presidente na época) sofreu processo de impeachment, aprovado pelo Conselho Deliberativo do São Paulo em 16/01/2026 (188 votos a favor), resultando em seu afastamento temporário — e hoje (21/01) ele anunciou renúncia ao cargo.
- Hoje, a operação policial resultou em apreensões de cerca de R$ 28 mil em espécie, documentos, CPU e outros itens. Alvos principais incluem Mara Casares, Douglas Schwartzmann e a intermediária Rita Adriana.
- O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) investiga crimes como corrupção privada no esporte e coação no curso do processo. O promotor José Reinaldo Guimarães afirmou que o esquema é antigo (não se limita ao show da Shakira), envolve mais diretores do que inicialmente imaginado e transformou o Morumbis em uma “gigantesca máquina de caça-níqueis” para arrecadação pessoal, com prejuízo ao clube.
O São Paulo FC se posiciona como vítima, afirma que o camarote pertence ao clube e que fará apurações internas (inclusive sindicância que sugere punições máximas e revisão de contratos). O caso continua em andamento e pode ter mais desdobramentos.