
Por conta do Mês da Herança Hispânica, a artista colombiana fala sobre seu novo projeto empresarial, sua bem-sucedida turnê mundial e como garante que seus filhos mantenham “o lado barranquilheiro”.
Shakira está mais ocupada do que nunca. Em meio à sua bem-sucedida turnê mundial Las Mujeres Ya No Lloran — com estádios lotados ao redor do planeta — a colombiana lançou recentemente sua própria marca de produtos para cuidados com o cabelo, com a qual, como em tudo que faz, busca conectar seu público com sua personalidade e cultura.
Da Alemanha à África do Sul, essa estrela latina icônica — que se define como uma “loba” — levou como poucas pessoas nossa música e cultura para o mundo. Por isso, a People en Español aproveitou o início do Mês da Herança Hispânica para conversar com a barranquilheira sobre esta fase de sua vida, o momento atual da música latina e como ela mantém vivos seus laços com as raízes, mesmo com a correria da sua profissão.
Na entrevista, Shakira exalta a resiliência, autenticidade e ousadia que caracterizam a mulher latina.
“Somos as verdadeiras lobas deste mundo: podemos ser ferozes para defender nossas famílias e nossos sonhos, e ao mesmo tempo temos a capacidade de nutrir, amar e nos conectar”, destaca.
Essa conexão inclui passar às próximas gerações um senso de identidade.
“Meus filhos, Milan e Sasha, estão definitivamente conectados com o lado barranquilheiro deles”, afirma. “Faço questão de que estejam cercados pela nossa cultura: pela família, pela comida, pela música.”
Porque, como ela mesma diz, não há nada mais poderoso do que “quando uma loba pode estar com sua alcateia”. A seguir, a entrevista completa:
Toda vez que estou em um palco internacional, sempre foi importante para mim representar nossa cultura e torná-la acessível. Quando La Tortura fez sucesso nas rádios dos Estados Unidos — sendo uma música 100% em espanhol — foi um marco muito importante.
Até então, eu só conseguia espaço nas rádios com músicas em inglês ou, no máximo, com algo de spanglish. La Tortura abriu um caminho, e hoje vemos a música em espanhol não só tendo sucesso, mas liderando em muitos segmentos da música internacional.
No Super Bowl, por exemplo, levar a champeta — uma dança da minha região, na costa da Colômbia, que é uma fusão de várias culturas — ao maior palco do mundo, foi um dos momentos que mais me encheram de orgulho.
A arte sempre foi a forma mais fácil de transcender e cruzar fronteiras.
O que diferencia uma mulher hispânica é sua resiliência e sua capacidade de se reinventar, uma e outra vez.
Muitas latinas hoje têm carreira e família ao mesmo tempo, fazem malabarismos com várias responsabilidades — mas com graça e determinação. Essa força está no nosso DNA.
Acredito também que nos destacamos porque unimos bravura com ternura.
Somos as verdadeiras lobas deste mundo: ferozes para proteger nossas famílias e sonhos, mas com a capacidade de nutrir, amar e nos conectar.
Sim, acho que a música latina mudou essa percepção.
Quando comecei, só alguns artistas latinos eram conhecidos mundialmente: Gloria Estefan, Ricky Martin, Selena… Ainda era raro ouvir espanhol fora dos nossos países.
Hoje, com o crescimento da população latina não só nos EUA, mas no mundo todo, nossa influência cultural também cresceu.
Atualmente é difícil encontrar um lugar no mundo onde não se ouça música em espanhol — seja um país hispanofalante ou não.
Sempre me lembro dos hábitos de beleza de casa: usávamos todo tipo de ingredientes naturais, coisas da cozinha (abacate, ovos!) e muita criatividade.
Por isso lancei a Isima, uma linha de cuidados capilares com base científica, mas nascida de uma necessidade cultural.
Como muitas mulheres, lutei durante anos com o cabelo: já fiz todos os tratamentos possíveis (descoloração, alisamento, queratina) e muitas vezes terminei em lágrimas.
Com a equipe da Isima, passei quatro anos desenvolvendo produtos que devolvem saúde, brilho e força a cabelos com necessidades complexas — seja cacheado, ondulado, seco ou quebradiço, como o meu.
A Isima não é sobre tendências de beleza; é sobre curar de dentro para fora, celebrar cada textura e aproveitar aqueles minutos no banho para cuidar de nós mesmas.
Como empreendedora latina, me sinto muito orgulhosa e inspirada.
Durante muito tempo, nossas vozes e necessidades foram ignoradas na indústria.
As diferentes texturas do nosso cabelo, nossa rotina, até mesmo nosso modo de ver a beleza como expressão pessoal, foram muitas vezes deixadas de lado.
Estar aqui agora, lançando uma linha que fala diretamente dessas experiências, é como abrir uma porta — não só para mim, mas para muitas mulheres que compartilham essa história.
Crescendo em Barranquilla, a música estava por toda parte.
Lembro de ouvir músicas que contavam histórias, como as de Rubén Blades, Willie Colón ou Joe Arroyo.
Elas fazem parte do meu DNA.
Milan e Sasha estão definitivamente conectados com o lado barranquilheiro deles.
Faço questão de que estejam cercados pela nossa cultura — pela família, pela comida, pela música.
Levo eles a Barranquilla para ficarem com os avós, para vivenciarem as tradições, sempre que posso.
Este ano, fomos à Guacherna, uma celebração de rua que marca o início do Carnaval — todos fantasiados, para curtirem como qualquer outra criança. Foi um momento muito especial.
Quero que eles sempre lembrem dos nossos valores: a resiliência, o sentido de comunidade que vem de ser latino.
Vivi esse fenômeno de perto, desde o começo, quando lancei La Tortura e experimentei com o reggaeton, que na época ainda não tinha se espalhado além de Porto Rico.
Tive a sorte de colaborar com muitos artistas desse universo: Maluma, Cardi B, Ozuna, Rauw Alejandro…
Como acontece com todo gênero que se populariza, o reggaeton e o trap latino começaram como movimentos populares e agora fazem parte do mainstream global.
Isso mostra a força dos ritmos latinos.
O que mais me anima é que não há mais limites.
Durante muito tempo, nossos gêneros eram vistos como regionais, e agora são globais.
Hoje se ouve reggaeton, bachata, salsa no mundo inteiro.
A música latina sempre foi baseada na fusão — uma espécie de sincretismo — e agora vemos isso em escala global.
Não há nada mais poderoso do que quando uma loba está com sua alcateia, então tenho grandes planos e estou muito animada para continuar em turnê, ver e tocar o máximo de fãs possível pelo mundo.
Mas também estou preparando novos projetos que me empolgam muito.
Em breve, vou anunciar novas datas!






