Shakira na capa da People en Español: uma “loba” fiel às suas raízes – entrevista completa!

Portal ShakiraCuriosidades5 months ago586 Views

Por conta do Mês da Herança Hispânica, a artista colombiana fala sobre seu novo projeto empresarial, sua bem-sucedida turnê mundial e como garante que seus filhos mantenham “o lado barranquilheiro”.

Shakira está mais ocupada do que nunca. Em meio à sua bem-sucedida turnê mundial Las Mujeres Ya No Lloran — com estádios lotados ao redor do planeta — a colombiana lançou recentemente sua própria marca de produtos para cuidados com o cabelo, com a qual, como em tudo que faz, busca conectar seu público com sua personalidade e cultura.

Da Alemanha à África do Sul, essa estrela latina icônica — que se define como uma “loba” — levou como poucas pessoas nossa música e cultura para o mundo. Por isso, a People en Español aproveitou o início do Mês da Herança Hispânica para conversar com a barranquilheira sobre esta fase de sua vida, o momento atual da música latina e como ela mantém vivos seus laços com as raízes, mesmo com a correria da sua profissão.

Na entrevista, Shakira exalta a resiliência, autenticidade e ousadia que caracterizam a mulher latina.
“Somos as verdadeiras lobas deste mundo: podemos ser ferozes para defender nossas famílias e nossos sonhos, e ao mesmo tempo temos a capacidade de nutrir, amar e nos conectar”, destaca.

Essa conexão inclui passar às próximas gerações um senso de identidade.
“Meus filhos, Milan e Sasha, estão definitivamente conectados com o lado barranquilheiro deles”, afirma. “Faço questão de que estejam cercados pela nossa cultura: pela família, pela comida, pela música.”

Porque, como ela mesma diz, não há nada mais poderoso do que “quando uma loba pode estar com sua alcateia”. A seguir, a entrevista completa:


Para celebrar o Mês da Herança Hispânica, gostaríamos de saber se você se lembra de algum momento em particular em que representar sua comunidade tenha sido motivo de orgulho.

Toda vez que estou em um palco internacional, sempre foi importante para mim representar nossa cultura e torná-la acessível. Quando La Tortura fez sucesso nas rádios dos Estados Unidos — sendo uma música 100% em espanhol — foi um marco muito importante.
Até então, eu só conseguia espaço nas rádios com músicas em inglês ou, no máximo, com algo de spanglish. La Tortura abriu um caminho, e hoje vemos a música em espanhol não só tendo sucesso, mas liderando em muitos segmentos da música internacional.


Ao longo da sua carreira, você nos fez sentir muito orgulho de ser latinos. Mas há algum momento específico nas artes, no esporte ou em outra área que te fez sentir, de forma especial, muito orgulhosa de suas raízes?

No Super Bowl, por exemplo, levar a champeta — uma dança da minha região, na costa da Colômbia, que é uma fusão de várias culturas — ao maior palco do mundo, foi um dos momentos que mais me encheram de orgulho.
A arte sempre foi a forma mais fácil de transcender e cruzar fronteiras.


O que você acha que faz uma mulher hispânica se destacar no mundo?

O que diferencia uma mulher hispânica é sua resiliência e sua capacidade de se reinventar, uma e outra vez.
Muitas latinas hoje têm carreira e família ao mesmo tempo, fazem malabarismos com várias responsabilidades — mas com graça e determinação. Essa força está no nosso DNA.
Acredito também que nos destacamos porque unimos bravura com ternura.
Somos as verdadeiras lobas deste mundo: ferozes para proteger nossas famílias e sonhos, mas com a capacidade de nutrir, amar e nos conectar.


Você acha que a música latina mudou a percepção da comunidade hispânica no mundo? Por quê?

Sim, acho que a música latina mudou essa percepção.
Quando comecei, só alguns artistas latinos eram conhecidos mundialmente: Gloria Estefan, Ricky Martin, Selena… Ainda era raro ouvir espanhol fora dos nossos países.
Hoje, com o crescimento da população latina não só nos EUA, mas no mundo todo, nossa influência cultural também cresceu.
Atualmente é difícil encontrar um lugar no mundo onde não se ouça música em espanhol — seja um país hispanofalante ou não.


Como colombiana morando fora há tanto tempo, quais são os hábitos de beleza e estilo de vida que você mantém?

Sempre me lembro dos hábitos de beleza de casa: usávamos todo tipo de ingredientes naturais, coisas da cozinha (abacate, ovos!) e muita criatividade.
Por isso lancei a Isima, uma linha de cuidados capilares com base científica, mas nascida de uma necessidade cultural.
Como muitas mulheres, lutei durante anos com o cabelo: já fiz todos os tratamentos possíveis (descoloração, alisamento, queratina) e muitas vezes terminei em lágrimas.
Com a equipe da Isima, passei quatro anos desenvolvendo produtos que devolvem saúde, brilho e força a cabelos com necessidades complexas — seja cacheado, ondulado, seco ou quebradiço, como o meu.
A Isima não é sobre tendências de beleza; é sobre curar de dentro para fora, celebrar cada textura e aproveitar aqueles minutos no banho para cuidar de nós mesmas.


Falando em beleza, você lançou a Isima. O produto “Curls Don’t Lie” está batendo recordes. Como se sente como empresária latina no mundo da beleza?

Como empreendedora latina, me sinto muito orgulhosa e inspirada.
Durante muito tempo, nossas vozes e necessidades foram ignoradas na indústria.
As diferentes texturas do nosso cabelo, nossa rotina, até mesmo nosso modo de ver a beleza como expressão pessoal, foram muitas vezes deixadas de lado.
Estar aqui agora, lançando uma linha que fala diretamente dessas experiências, é como abrir uma porta — não só para mim, mas para muitas mulheres que compartilham essa história.


Assim como seus fãs latinos se conectam com suas raízes através da sua música, se você pensar na trilha sonora da sua vida, quais músicas de outros artistas despertam a sua latinidade?

Crescendo em Barranquilla, a música estava por toda parte.
Lembro de ouvir músicas que contavam histórias, como as de Rubén Blades, Willie Colón ou Joe Arroyo.
Elas fazem parte do meu DNA.


Quão importante é pra você que seus filhos mantenham a herança hispânica? Milan e Sasha estão conectados às raízes?

Milan e Sasha estão definitivamente conectados com o lado barranquilheiro deles.
Faço questão de que estejam cercados pela nossa cultura — pela família, pela comida, pela música.
Levo eles a Barranquilla para ficarem com os avós, para vivenciarem as tradições, sempre que posso.
Este ano, fomos à Guacherna, uma celebração de rua que marca o início do Carnaval — todos fantasiados, para curtirem como qualquer outra criança. Foi um momento muito especial.
Quero que eles sempre lembrem dos nossos valores: a resiliência, o sentido de comunidade que vem de ser latino.


Como você viveu o fenômeno da música urbana latina, que conquistou o mundo nos últimos anos?

Vivi esse fenômeno de perto, desde o começo, quando lancei La Tortura e experimentei com o reggaeton, que na época ainda não tinha se espalhado além de Porto Rico.
Tive a sorte de colaborar com muitos artistas desse universo: Maluma, Cardi B, Ozuna, Rauw Alejandro…
Como acontece com todo gênero que se populariza, o reggaeton e o trap latino começaram como movimentos populares e agora fazem parte do mainstream global.
Isso mostra a força dos ritmos latinos.


O que mais te empolga no futuro da música latina?

O que mais me anima é que não há mais limites.
Durante muito tempo, nossos gêneros eram vistos como regionais, e agora são globais.
Hoje se ouve reggaeton, bachata, salsa no mundo inteiro.
A música latina sempre foi baseada na fusão — uma espécie de sincretismo — e agora vemos isso em escala global.


Parabéns! Sua turnê tem sido um sucesso. O que podemos esperar da Shakira em 2026?

Não há nada mais poderoso do que quando uma loba está com sua alcateia, então tenho grandes planos e estou muito animada para continuar em turnê, ver e tocar o máximo de fãs possível pelo mundo.
Mas também estou preparando novos projetos que me empolgam muito.
Em breve, vou anunciar novas datas!

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