
Gustavo Celis, colaborador de longa data de Shakira, contou em entrevista à revista Headliner os bastidores intensos da criação de dois dos maiores sucessos da artista: “Hips Don’t Lie” e “Beautiful Liar”. A matéria, publicada recentemente, revela detalhes inéditos do processo criativo e técnico por trás desses hits globais.
A primeira memória de Gustavo Celis ao lembrar de “Hips Don’t Lie” não é de entusiasmo imediato, mas de desgaste:
“Para ser honesto, eu não tive aquela sensação [de que seria enorme] porque foi extenuante. Não sei o que foi, mas estava no fim de uma turnê promocional. Estávamos em Londres, no Olympic Studios, em uma sala linda no topo do penthouse. Era tudo, mas a Shakira simplesmente não queria cantá-la.”
“Passamos uma semana acampados lá, prontos para gravar. Ela me dizia: ‘Essa sala é pequena demais’, depois: ‘Não quero usar fones de ouvido’. Fomos para uma sala maior. Então: ‘Essa sala é grande demais’. E então: ‘Agora estou cansada demais’. Isso durou três dias. No último dia, dissemos: ‘Não há mais chances’, e ela finalmente cantou. Foram só uma ou duas tomadas.”
Apesar disso, a faixa se tornou um marco: número 1 em 17 países, recorde de execuções em rádios americanas e o primeiro e único número 1 de Shakira nos EUA até hoje.
“Ela provavelmente não estava pronta. Talvez estivesse ainda trabalhando na letra. Mas quando cantou, fez um trabalho incrível, como sempre.”
Um hit com raízes latinas profundas
A icônica introdução de trompete de “Hips Don’t Lie” é um sample da canção Amores Como el Nuestro (1992), escrita por Omar Alfanno e gravada por Jerry Rivera:
“Esse trompete é o chamado à pista de dança! É clássico, inesquecível. Tem muita raiz. Quando virou esse fenômeno, eu não me surpreendi. Mas tive uma relação traumática com essa música porque não lembro de nada fácil — foi cheia de obstáculos. Não fluía como outras. Mas valeu a pena. Especialmente para ela, né? Porque agora todo mundo conhece a música dela.”
Celis também revelou que a faixa originalmente se chamava Lips Don’t Lie e foi gravada por Wyclef Jean, Lauryn Hill e Pras para um possível retorno dos Fugees — versão nunca lançada por descontentamento de Hill.
A força de Shakira: “Ela junta o mundo”
“A Shakira fez um trabalho fantástico expandindo a música, trazendo elementos colombianos como a flauta e os tambores do breakdown. Você não sabe mais dizer: é caribenha? africana? É de todo lugar — e é isso que ela faz de melhor: juntar o mundo.”
“Foi divertido, porque essa música é um pouco ousada, agressiva, mas com vozes maravilhosas interagindo. O desafio foi mais psicológico do que técnico — como chegar a um resultado com o qual as duas estivessem satisfeitas.”
Ele revela ter criado cerca de 100 versões da faixa:
“Você tem que executar tudo o que elas querem, depois restringir e criar um único mix — o que todo mundo conhece. São duas gigantes da música com ideias próprias. Então obviamente, elas não vão coincidir logo de cara.”
A canção chegou ao Top 3 da Billboard Hot 100 e ao topo das paradas em diversos países da Europa. Recebeu indicação ao Grammy Awards de 2007 e ganhou o Ivor Novello Awards.
Lições de “La Tortura” e o equilíbrio entre egos
Celis já havia trabalhado com Shakira no mega hit “La Tortura” com Alejandro Sanz. Isso o ajudou a lidar com questões como equilíbrio vocal e decisões artísticas:
“Percebi coisas como: ‘Por que a voz dele está mais alta?’ Porque a harmonia principal está na voz dele. A lógica sempre prevalece. Às vezes o ego atrapalha, mas é preciso manter a integridade musical.”
Uma trajetória com os maiores da música
Antes de trabalhar com Shakira, Celis passou pelo lendário The Hit Factory:
“No meu primeiro dia de trabalho, Michael Jackson ocupava quatro salas. Estavam lá Paul Simon, Mariah Carey, Bruce Springsteen, David Bowie… Era insano!”
Desde então, ele mixou para Celine Dion, Eric Clapton, Ricky Martin, Roger Waters, e venceu dois Grammy Awards e sete Latin Grammys.
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