
Barranquilla amanheceu mais silenciosa. Na última segunda-feira, 11 de agosto, a cidade se despediu de uma de suas vozes mais carismáticas e humanas: Édgar García Ochoa, carinhosamente conhecido como Flash. Após enfrentar complicações de saúde causadas por úlceras gástricas, ele partiu — deixando para trás não apenas um legado jornalístico, mas uma história de generosidade, visão e fé no talento dos outros.
Flash não foi apenas um jornalista. Ele foi o homem que acreditou em Shakira antes que o mundo soubesse seu nome.
Era um dia comum em La Olla Barranquillera, quando William Mebarak, pai de uma menina cheia de sonhos, pediu a Flash que ouvisse sua filha. Curioso, ele perguntou por que deveria ajudá-la. E então, diante dele, uma jovem de apenas 13 ou 14 anos respondeu com firmeza:
“Eu sou sua leitora.”
Shakira não só lembrava a coluna que ele havia publicado naquela manhã — ela a citava de cor. Flash ficou sem palavras. Naquele instante, algo nele despertou. Ele viu nela o que poucos viam: um brilho destinado ao mundo.
E decidiu agir.
Flash abriu as portas que ninguém mais estava abrindo. Criou oportunidades, espaços, convites. Incluiu Shakira em eventos que organizava, como a campanha de debutantes do EL HERALDO, onde ela encantou a todos com sua dança árabe e sua voz marcante.
Ele não esperou que ela fosse famosa para valorizá-la. Ele a viu. Ele acreditou. Ele impulsionou.
Mesmo quando os holofotes já brilhavam sobre Shakira nos palcos internacionais, Flash continuou presente. Foi convidado por ela ao Festival de Viña del Mar. Foi recebido com uma limusine em Miami. Hospedado por 20 dias enquanto acompanhava os bastidores dos Prêmios Lo Nuestro.
Porque quando alguém acredita em você quando ninguém mais acredita… você nunca esquece.
Em 14 de fevereiro, Flash fez uma de suas últimas grandes aparições públicas. Com brilho nos olhos, entrou nas redações do EL HERALDO para apresentar seu último livro:
“Meus recordes com Shakira” —
uma coletânea de histórias reais, muitas delas nunca contadas antes, que revelam a menina por trás da estrela.
Uma dessas histórias aconteceu no Country Club de Barranquilla. Shakira havia vencido um concurso, mas tentaram negar-lhe o prêmio por não ser sócia. Uma jurada defendeu seu talento com firmeza. Anos depois, já consagrada, Shakira quis retribuir: ofereceu uma casa àquela jurada. Gratidão não se esquece.
Édgar García Ochoa foi um contador de histórias — mas, mais do que isso, foi alguém que construiu histórias. Sua vida nos lembra que, às vezes, tudo o que alguém precisa é de uma chance. De ser ouvido. De ser visto.
E Flash viu.
Um livro para quem acredita no poder dos encontros.
Para quem entende que grandes histórias começam com pequenos gestos.
Adquira. Leia. Compartilhe.
Porque homenagear Flash é também manter viva a coragem de acreditar no outro.






