
BBC News Brasil relembra como Shakira viralizou no país antes do megashow em Copacabana
Seguindo os passos de Madonna e Lady Gaga, Shakira se apresentará para um público estimado de um milhão de pessoas em um show gratuito nas areias da Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, no dia 2 de maio. O evento foi anunciado oficialmente pela produtora Bonus Track.
Mas, antes de comandar o que ficou conhecido como “a maior pista de dança do mundo”, a cantora colombiana precisou conquistar o público brasileiro de forma intensa — e estratégica.
Em reportagem especial, a BBC News Brasil relembrou como Shakira viralizou no país no fim dos anos 1990, em uma época em que artistas estrangeiros enfrentavam enorme resistência no mercado nacional.
Em 1997, durante a era Pies Descalzos, Shakira participou do programa Domingo Legal, apresentado por Gugu Liberato, no SBT. Em pleno domingo de Páscoa, deixou sua família para cumprir agenda no Brasil.
No programa, foi convidada a sambar, dançar a então popular “dança da bundinha” — inspirada no grupo É o Tchan — e mostrar movimentos de dança do ventre, elemento que mais tarde se tornaria uma de suas marcas registradas em coreografias como Hips Don’t Lie.
A artista também chegou a atuar como jurada do quadro A Banheira do Gugu, um dos mais controversos e populares da televisão da época.
Em outra participação marcante, no Programa Livre, comandado por Serginho Groisman, respondeu com bom humor a pedidos do público para mostrar seus “pies descalzos”:
“Sim. Só espero que eles não estejam tão sujos.”
Por trás do sucesso havia planejamento. Segundo a reportagem, a Sony Music investiu cerca de US$ 2,8 milhões para consolidar Shakira no Brasil — um mercado conhecido por priorizar fortemente artistas nacionais.
De acordo com dados citados pela BBC, 75% do consumo musical no Brasil é voltado à produção nacional, segundo a Luminate, empresa que fornece dados para a Billboard.
O então diretor de marketing da Sony Music, Luiz Calainho, montou uma estratégia abrangente:
Shakira percorreu o Brasil além das capitais, se apresentando em cidades como Barretos e Ribeirão Preto, com ingressos que hoje equivaleriam a cerca de R$ 150 — valor significativamente inferior aos praticados em sua última turnê, Las Mujeres Ya No Lloran.

Outro ponto decisivo foi a parceria com a rádio Jovem Pan, então a emissora jovem mais ouvida do país.
Segundo Calainho, foi oferecido US$ 1 para cada disco vendido no Brasil. Com mais de 1 milhão de cópias comercializadas, a emissora teria faturado cerca de US$ 1 milhão apenas nessa operação.
Na época, o mercado de CDs era extremamente lucrativo: cada disco custava cerca de R$ 15, com alta margem de lucro. Hoje, segundo dados citados na reportagem, o cenário mudou drasticamente:
Além do investimento, houve um fator determinante: a própria Shakira.
Segundo o executivo, a artista tinha disposição para “ir para a rua, ir à loja, ir ao programa de TV”. Seu visual ainda era marcado pelos cabelos pretos — muito diferente do loiro icônico que viria depois.
O contexto era outro, a indústria era outra — e a artista também. Mas o empenho daquela jovem colombiana foi fundamental para transformar o Brasil em um de seus mercados mais fiéis.
Quase três décadas depois, Shakira retorna ao Rio de Janeiro não mais como promessa, mas como uma das maiores artistas latinas de todos os tempos.
Da “dança da bundinha” no Domingo Legal ao palco monumental de Copacabana, a trajetória mostra que o sucesso no Brasil não aconteceu por acaso — foi construído com estratégia, investimento e, acima de tudo, entrega.






